IL BRASILE NEL CUORE — O BRASIL NO CORAÇÃO


Em maio de 2006, o Padre Fabio Potiguar participou, na Itália, do projeto Il Brasile nel cuore — O Brasil no coração, uma iniciativa de intercâmbio e cooperação que reuniu representantes do poder público, da sociedade civil e de diferentes áreas de atuação para apresentar, em várias cidades italianas, os avanços, os desafios e as contradições do Brasil naquele momento.
A delegação brasileira contava com importantes representantes do governo e da sociedade civil. Entre os participantes estavam a ministra Marina Silva, então à frente do Ministério do Meio Ambiente, e o ministro Patrus Ananias, então ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, além de numerosas representações do poder público, de organizações sociais, entidades e movimentos da sociedade civil brasileira.
A missão contou também com o acompanhamento da representação diplomática brasileira na Itália. Naquele ano, o embaixador do Brasil em Roma era Adhemar Gabriel Bahadian, que exercia a função de embaixador do Brasil na Itália em 2006. (Livrozilla)
Ao longo da missão, a delegação percorreu cerca de vinte cidades italianas, entre elas Roma, Bolonha, Turim e Módena, além de outras dezesseis cidades. Em cada etapa, a programação incluía encontros institucionais, políticos, acadêmicos, empresariais e sociais. Foram realizadas visitas a presidentes de províncias, prefeitos, parlamentos provinciais e municipais, além de reuniões com representantes do empresariado, dos sindicatos e das organizações não governamentais italianas.
A proposta era estabelecer um diálogo amplo entre Brasil e Itália, apresentando diferentes dimensões da realidade brasileira e colocando em debate experiências de políticas públicas, desenvolvimento social, meio ambiente, direitos humanos, cidadania e participação da sociedade civil.
Integrando essa delegação e representando o Centro de Direitos Humanos e Memória Popular, o Padre Fabio Potiguar levou para aquele espaço uma das questões mais graves enfrentadas no Nordeste brasileiro: a exploração sexual de crianças e adolescentes no contexto do turismo, com atenção especial à realidade de Natal e do Rio Grande do Norte.
Em conferências, debates e encontros realizados ao longo da missão, o Padre Fabio Potiguar apresentou a experiência brasileira de enfrentamento dessa grave violação de direitos, destacando especialmente o Código de Conduta do Turismo, iniciativa da qual foi coordenador de articulação e mobilização.
Um dos momentos mais importantes da missão foi a conferência realizada na Universidade de Roma, onde o Padre Fabio Potiguar apresentou a realidade da exploração sexual infantojuvenil ligada ao turismo no Nordeste brasileiro, bem como as estratégias de prevenção, mobilização social e articulação institucional desenvolvidas no Rio Grande do Norte.
O Código de Conduta articulava uma ampla rede de proteção à criança e ao adolescente, reunindo representantes do Poder Executivo, Poder Legislativo, Poder Judiciário, conselhos de direitos, organizações não governamentais e demais instituições envolvidas na defesa dos direitos da infância e da adolescência, além de agentes diretamente ligados ao setor turístico.
A experiência partia da compreensão de que a exploração sexual de crianças e adolescentes no turismo não poderia ser enfrentada apenas pela repressão aos crimes. Era necessário mobilizar hotéis, agências, empresas, trabalhadores do turismo, gestores públicos, órgãos de proteção e a própria sociedade para uma cultura permanente de prevenção, denúncia, responsabilização e proteção integral.
Por dominar o idioma italiano naquele período, o Padre Fabio Potiguar exerceu ainda uma função importante de comunicação durante a missão. Em diversas ocasiões, especialmente nas coletivas de imprensa, atuou como porta-voz da delegação brasileira, dialogando diretamente com jornalistas e veículos de comunicação italianos e contribuindo para apresentar ao público local os temas, as experiências e os desafios trazidos pelo grupo brasileiro.
A participação do Padre Fabio Potiguar em Il Brasile nel cuore, representando o Centro de Direitos Humanos e Memória Popular, possibilitou, assim, não apenas apresentar internacionalmente uma experiência concreta de articulação entre Estado, sociedade civil e setor turístico no enfrentamento da exploração sexual infantojuvenil, mas também participar de um intenso processo de diálogo político, acadêmico e social entre Brasil e Itália.
A viagem de maio de 2006 permanece como parte de uma trajetória de defesa dos direitos da criança e do adolescente, de fortalecimento das políticas públicas e de construção de redes de proteção comprometidas com a dignidade humana.
A mensagem levada aos encontros realizados na Itália era clara: nenhuma atividade econômica, nenhum projeto turístico e nenhuma política de desenvolvimento podem estar acima da dignidade e da proteção integral de uma criança ou de um adolescente.



